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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Nova técnica para asma dispensa a "bombinha"






Asmática desde pequena, a pesquidora de mercado Rosemary Ferreira, 42, não sabia o que era usar perfume. O cheiro provocava nela crise certa, como outros irritantes --fumaça de cigarro, pó, poluição, pelo de animais.
"Passei boa parte de minha vida em casa ou no hospital. Não tinha vida social, só falta de ar", diz. A pesquisadora é uma das participantes de um estudo sobre uma nova cirurgia para tratar sintomas graves de asma.
Chamada de termoplastia brônquica, a técnica é feita com um tubo flexível introduzido pelo nariz ou pela boca, que leva até os brônquios um dispositivo gerador de calor. O aquecimento faz a musculatura lisa dos brônquios perder o volume e a força de contração.
"A função desse músculo é fechar o brônquio para não deixar agentes externos entrarem nas vias aéreas. No asmático, qualquer estímulo leva a uma resposta exagerada, fechando demais o brônquios a ponto de o ar não entrar", explica Marina Lima, diretora científica da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.
O novo tratamento mantém o brônquio mais dilatado mesmo quando há estímulos para crises. Está sendo considerado uma solução para pacientes com asma severa ou que não respondem aos medicamentos usais (corticóides inaláveis ou orais).
"Não existia nada para esses pacientes e os resultados são promissores: a técnica reduziu drasticamente o uso de medicamentos", diz o pneumologista Elie Fiss, da Faculdade de Medicina do ABC, um dos centros brasileiros onde a cirurgia foi testada.
Além dele, os testes clínicos no Brasil foram feitos nos hospitais universitários da UFRJ e da PUC do Rio Grande do Sul e na Santa Casa de Porto Alegre. O estudo global envolveu testes em vários países como EUA, Canadá, Reino Unido e Austrália.
Os bons resultados --mais de 80% de redução nas internações e uso de medicamentos-- levaram à aprovação do tratamento pelo FDA, órgão regulador de medicamentos norte-americano.
No Brasil, o aparelho para a termoplastia brônquica ainda precisa ser aprovado pela Anvisa, o que deve ocorrer em 2011. Os centros que fizeram a pesquisa em São Paulo, no Rio e em Porto Alegre devem ser os primeiros a receber o equipamento.

CUSTO ALTO

O tratamento não é barato. Lima conta que o aparelho custa US$ 40 mil. Cada cateter custa mais de US$ 1.000 (são usados três por paciente). Nos EUA, a cirurgia custa de US$ 12 mil a US$ 18 mil.
"É caro, mas o custo das internações e das faltas no trabalho também é alto", diz Lima. Ela diz que cerca de 20 milhões de brasileiros sofrem de asma. Desses, entre 10% e 20% de forma grave ou que não responde aos remédios.
O alergologista Fábio Kuschnir, da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, lembra que o uso continuado de remédios para asma pode causar aumento da pressão arterial. "Mas a nova cirurgia não é a solução mágica. Não deixa de ser invasiva, e ainda não sabemos como os pacientes ficarão, passado mais tempo."


Fonte: http://www.folha.com.br/




Postado por Rubem Tadeu - Presidente da AFAMA




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