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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PROBLEMAS SOCIAIS QUE PERTURBAM OS JOVENS E CRIANÇAS EM ATALAIA DO NORTE-AM


Manaus - Alguns dias atrás, obtive uma triste e lamentável notícia sobre crianças e jovens da minha querida terra Natal, Atalaia do Norte-AM, cerca de 1.300 km da capital: crianças e adolescentes perdidos na vida, abandonados pelos pais, marginalizados pela sociedade e esquecidos pelo Poder Público. A notícia gira em torno do vício, da droga, do descaso com o futuro daquela cidade, que sempre ostentou o título de Pérola do Javari, de cidade pacata, hospitaleira e sem mazelas de todas as ordens. Sim, Atalaia do Norte, por décadas, ainda que de pouca idade (pouco mais de 50 anos), viveu anos de glória. Aí você imagina... quê e como anos de glória?!! Afirmo e comprovo. Eu vivenciei alguns desses anos. Nasci, cresci, apreciei até os meus quinze anos horas de alegria, de diversão, de fraternidade, de momentos familiares, de momentos de amizade e tantas outras coisas que uma criança ou um adolescente pode ter de melhor. Durante esses anos, dezenas de jovens aproveitaram sua infância sem correr qualquer risco que fosse concercente a qualquer tipo de vício: fosse ele alcoólico, de tabagismo ou o mais fulminante e mortal, a droga ilegal: a maconha, a cocaína, a heroina ou outro mal dessa natureza.
Podemos afirmar que vivemos anos de uma infância sadia. Eram raras as vezes que surgia uma adolescente grávida. Era tempo de ver estudantes disputando o concorrido quadro de notas no final de cada ano letivo, pois as escolas, especialmente a inesquecível e destruída Escola Estadual Pio Veiga, de onde surgiram os grandes nomes da nossa cidade Atalaia do Norte, ofereciam oportunidades ímpares. Os três primeiros colocados, aqueles que atingiam as maiores e melhores notas, eram homenageados em solenidade escolar, na qual os pais, professores e a sociedade destacavam-nos pela conquista. Algumas vezes estive lá no topo, digo no pódio, pois obtive por vezes o terceiro lugar e por vezes o segundo lugar. Meus amigos Edici e Neco nunca deixaram, eles dois estavam sempre à frente, o primeiríssimo lugar era revezado por eles. Mereceram.
Mas, será mesmo que Atalaia era um paraíso para as crianças e adolescentes, como fora acima relatado? E, por quê? É claro que como toda e qualquer cidade, Atalaia do Norte possuía suas mazelas, porém elas eram mínimas. Não era à toa que as crianças e adolescentes daquela época podiam brincar todas as tardes e todas as noites, inclusive nas ruas, sem a presença de problemas graves como é observado atualmente. Perguntemos a alguns deles: Edici, Ridney, Artêmio, Jalmir, Paulo e Carlos da Dona Florentina, Rubeney, Waterloo, Leida, Sídia, Rossini e Nailson, Dima, Branca e muitos outros. Se alguma coisa de ruim (vício) existia, não era do nosso conhecimento, tão pouco chegou a nós. Mas, vale ressaltar alguns pontos importantíssimos na vida dos munícipes: Atalaia tinha cerca de 5.000 habitantes na sua sede, com isso as pessoas eram mais próximas uma das outras, na verdade eram mais amigas... na verdade mesmo, a família era presente, as família tinham Deus no coração; a frequência na igreja era constante; nossos país tomavam conta de nós, acompanhavam mais de perto nossos passos. E por incrível que pareça, apesas dos poucos estudos que eles tinham, somos prova disso, fomos bem orientados, bem educados, bem formados, souberam nos dar caráter e personalidade. Isto não significa que hoje todas as crianças e adolescentes são mal orientados, mal educados.
Dentre garotos e garotas da nossa época, como assim dizemos, muitos estão e são bem sucedidos na vida, tanto como pais de família quanto como profissionais.
Não obstante, era aparentemente mais fácil administrar nossa cidade, com tão pouca gente e, com certeza, gente simples, humilde, companheira e amiga. A vida era interiorana mesmo. O ritmo era de cidade equilibrada. Daí, posso não estar certo, mas o Poder Público não tinha tanta preocupação, ou talvez não tivesse quase nada com que se preocupar. Mas, quem conheceu o Senhor Ademir Pereira de Lucena e o Senhor Moacir Baima de Almeida, saudosos administradores, deve se lembrar do que representam para o povo de Atalaia do Norte.
Com o advento da modernidade, do pouco que se faz presente em Atalaia do Norte, o Poder Público (parece-me) não foi capaz de acompanhar as mazelas que surgem com a chegada do desenvolvimento, já que Atalaia hoje possui rede de internet, telefonia móvel, Rodovia Federal que dá acesso a Benjamin Constant e consequentemente a Tabatinga em curtíssimo tempo, e por razões notórias o povo de Atalaia teve maior renda em suas mãos, fato que elimina ou diminui o sentimento de família, como afima a Igreja Católica em seu Lema Religioso: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro". É claro que isso não acontece com todos, diria que com a minoria acontece de fato. Mas, é importante relatar que houve uma contribuição direta para a destruição da família, do abandono da criança e do adolescente e o distanciamento das pessoas entre si.
Hoje, o que temos e o que vemos são ações assustadoras: crianças levadas ao vício, à marginalização. E, afinal, onde está o Poder Público? Onde estão as famílias? Onde está a sociedade? Onde estão os órgãos sociais envolvidos no Sistema de Segurança Pública: Conselho Tutelar, Polícias Militares e Civis e a Sociedade organizada?
Afinal, o que estão fazendo para mudar o quadro atual, transformar a realidade pela qual passam nossas crianças e adolescentes, e eliminar as mazelas que destroem o futuro da nossa cidade?
É certo, porém, que hoje temos em Manaus a Associação dos Filhos e Amigos Atalaienses Residentes em Manaus - AFAMA, que está em fase de constituição, uma organização sem fins lucrativos, que em pouco tempo e depois de totalmente organizada, apresentará e executará projetos, cuja finalidade visa ao desenvolvimento e crescimento sadio da juventude atalaiense. Se Deus permitir, a AFAMA será um passo ambicioso em prol da cultura, em prol da vida e da saúde dos nossos conterrâneos.
Hoje, rogamos e pedimos a Deus que ilumine o caminho daqueles que devem administrar a nossa cidade, da sociedade que pode sim dar sua parcela de contribuição, da família atalaiense que ainda está de pé e pode se mobilizar e mudar a realidade atual com um grito de liberdade e consciência. E, finalmente, o Poder Público, eleito democraticamente pelo povo, que tem o dever e a responsabilidade de zelar pela sociedade, pelos seus munícipes, pela bem estar de todos.
Esperaremos a resposta de todos os envolvidos e comprometidos com a causa. Esperamos a mudança já!!!



Rubem Tadeu - Presidente da AFAMA




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