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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Vandalizar não resolve. Dialogar é preciso





ATALAIA DO NORTE - Em junho de 2013, durante a realização da Copa das Confederações, o Brasil registrou um dos momentos mais importantes dos úlitmos anos. Com o slogan “o gigante acordou”, a população de todas as classes sociais foi para as ruas protestar contra a corrupção que se enraizara no país, gerando sensação de impunidade de todas as ordens. Concomitantemente, a falta de políticas públicas fez a população exigir das autoridades seriedade no trato com a coisa pública. O caos que se instalara na saúde (hospitais em ruínas, pacientes sem atendimentos, sem leitos e morrendo nos corredores); nas escolas (estruturas abandonadas, qualidade de ensino ultrapassada, alunos estudando sentados no chão e professores mal pagos e sem preparação); transporte público caro e sem condições para uso de passageiros e gastos públicos exorbitantes nas obras da Copa, assombraram a população. As pessoas não acreditavam que era possível gastar tanto em eventos esportivos e na Copa do Mundo, enquanto a saúde, principalmente, passava por um casos generalizado.
Em tão pouco tempo o governo brasileiro liberou quase R$ 40 bilhões para a construção de estádios e obras correlacionadas à copa do mundo. Obras que literalmente transmitiam a ideia de que a corrupção mais uma vez imperaria e a incompetência predominaria. Era certo que os tudo ficaria pronto, contudo, todos tinham a certeza de que a corrupção e o superfaturamento se concretizariam até o final. O valor total do custo dos estádios, por exemplo, é 285% superior à previsão inicial (R$ 2,8 bilhões) anunciado pelo governo federal em outubro de 2007 (chegou a R$ 8 bilhões). O estádio Mané Garrincha estava orçado inicialmente em R$ 699 milhões e já consumiu até agora quase R$ 2 bilhões.
Atrelada a essas ações que contrariam a vontade e a necessidade da população, o governo brasileiro em mais uma desastrada ação que em nada beneficiará o país, aprovou total isenção de impostos à FIFA, ou seja, essa empresa poderá vender seus produtos, prestar serviços em benefício próprio e ainda assim não pagará nada para o país. Seus lucros estão estimados em R$ 8 bilhões, valor que supera as copas anteriores como na África do Sul 2010 – 7 bilhões e na Alemanha 2006 – 4,4 bilhões (Guia Muriaé, R7 e UOL). O Brasil deixa de arrecadar com isso R$ 1 bilhão. A FIFA ao contrário do que vai acontecer no Brasil, pagou os impostos devidos nas copas anteriores.
Desde 1950, o país nunca sonhou tanto com uma copa do mundo. As crianças, os jovens, os adultos, os idosos, enfim, todos queriam sentir o sabor e o valor de poder presenciar a seleção brasileira conquistar mais um título, o que reafirmaria a hegemonia no futebol mundial. Mas, insanamente a corrupção corroeu essa vontade, esse desejo, e tudo se transformou em um despertar, em um acordar e soerguer a cabeça e perceber que a forma com que esse sonho se instalara não condiz com a realidade vivida diariamente pelo cidadão brasileiro, que incondicionalmente necessita dos serviços públicos básicos.
Afinal, quem destruiu esse sonho? Os vândalos que tentam a todo custo protestar destruindo bens públicos e privados, como forma de demonstrar a insatisfação com a postura do governo brasileiro ou o próprio governo brasileiro que inverteu valores, elevando a importância dos eventos esportivos em detrimento de políticas públicas voltadas à saúde, à educação, ao transporte, à geração de emprego, etc.? Decerto, contudo, piorar a situação atual não é a melhor proposta que temos para construir um novo país. Isso demonstra o quanto não fomos preparados, educados, tampouco orientados para agirmos com prudência e inteligência. Não fomos devidamente transformados em cidadãos, cuja consciência do poder que possuimos para escolher os gestores, administradores da res pública, está aquém do ideal. Ficar inerte, calado, silente, não resolve. Reclamar de tudo, ou destruir, ou vandalizar, também não resolve. Sejamos inteligentes e busquemos o diálogo, façamo-nos entender e compreender; sejamos os responsáveis pela mudança e não os irresponsáveis pelo caos.

Elaborado por Rubem Tadeu - Presidente da AFAMA
rtcastroalves@bol.com.br

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