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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A mulher brasileira não tem interesse em ocupar cargo político no Brasil




ATALAIA DO NORTE - A matéria intitulada "Quase 15 mil candidatas a vereadora têm 0 votos" veiculada no site do G1, datado de 27 de outubro de 2016, retrata uma realidade no Brasil que tem sido corriqueira quando se trata de assuntos sem nenhuma relevância para a população. A Lei 9.594 de 1997 em seu artigo 10, § 3o destaca que o número de mulheres participando do pleito eleitoral para compor as vagas a Senadores, Deputados Federais ou Estaduais e Vereadores é da ordem de 30% do total de candidatos das coligações, uma exigência que está em vigor desde 2009, perpassando por quatro eleições, sendo duas para prefeitos e vereadores - 2012 e 2016 - e duas para senadores, governadores e deputados - 2010 e 2014.
A maior prova da ineficácia dessa lei é o significativo número de mulheres que se candidataram nas últimas eleições municipais ao cargo de vereadoras e obtiveram 0 votos. Fica claro que esse grande número de candidatas serviu apenas para preencher o percentual de vagas exigido por lei. Elas próprias não votaram nelas mesmas.
Sabemos que nosso país tem situação cultural de valorização masculina das coisas, ou seja, a prática do machismo natural é predominantemente presente no psiquê da maioria das pessoas. Isso leva naturalmente o homem a ter mais espaço em certos ambientes, ocupações de cargos, maiores salários, etc. Talvez tenha sido nesse sentido que o legislador tentou induzir a ´mulherada` a ter maior participação no cenário político brasileiro. A finalidade da lei é estimular e incentivar o envolvimento da mulher nas decisões políticas em cada cidade, estado ou no âmbito federal.
Ocorre que na prática, mesmo após 7 anos de vigência e terem sido realizados quatro eleições, a lei da participação feminina nas eleições não vingou; politicamente o efeito foi mínimo, isto é, a consciência da participação da mulher na política não seu deu pela força de lei. Pela forma com que se encaminha a educação e consciência política, o amadurecimento da mulher brasileira não vai acontecer de qualquer jeito ou por exigência, tampouco por necessidade - geral ou específica - enquanto em função do modo de vida atual o individualismo prevaleça. De um lado o homem fecha as portas para o ingresso da mulher, usa os meios que as impedem de enfrentar a longa e dura jornada da política e impõe barreiras naturais para que haja gosto por ideais.
Não há dúvidas de que faz mister introduzir nas disciplinas do ensino fundamental e do ensino médio conteúdos de educação política, oportunidade na qual sem dúvidas tanto os homens quanto as mulheres terão o gosto, a consciência e o conhecimento para disputar uma vaga seja qual for o cargo político, na esfera municipal, estadual ou federal; no Poder Executivo ou Legislativo.
O Brasil precisa crescer nesse sentido, a sociedade precisa crescer nesse sentido, os homens e as mulheres precisam crescer nesse sentido. Decerto não será necessário exigência normatizada para se garantir a participação da mulher no cenário político, quiçá o número mínimo para esse mesmo fim.
Veja o percentual de candidatas sem votos por Estado: PB - 23%, AM - 22%, BA - 22%, AL - 19%, MA - 19%, PE - 18%, AP - 16%, CE - 15%, SE - 15%, PA - 14%, AC - 12%, GO - 11%, PI - 11%, TO - 11%, MT - 9%, MG - 8%, PR - 8%, RO - 8%, RR - 7%, SP - 7%, MS - 5%, RJ - 5%, ES - 4%, SC - 3% e RS - 2%.

Elaborado por Rubem Tadeu - Presidente da AFAMA
rtcastroalves@bol.com.br

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